segunda-feira, 22 de setembro de 2014

A Era Tecnológica: Uma Questão de Avanços ou de Perdas na Essencialidade Humana?

Autor: Marcos Aurélio Alves Filho | Publicado na Edição de: Agosto de 2014
Categoria: Desenvolvimento Humano

Resumo: Este artigo tem o intuito de analisar de uma maneira reflexiva, as grandes mudanças e avanços tecnológicos que são influenciados em nossa sociedade e o declínio do contato humano, ocorrendo assim de uma maneira negativa, declínios de desenvolvimento biopsicossocial da essência humana.
Palavras-chave: Mudanças, sociedade, contato humano.

1. Introdução

Em pleno século XXI, tudo pode se esperar em relação aos avanços de várias tecnologias que vão sendo desenvolvidas em um piscar de olhos, não sendo a toa ser um século chamado de Era da Tecnologia.
Em cerca de 30 anos atrás aproximadamente, idade dos nossos pais, nunca se poderia imaginar que existiriam celulares, computadores, carros, smartphones, cinema 3D, tudo isso das mais últimas gerações. Há quem diga que no Japão, está sendo criado o cinema 4D!, Aonde o telespectador vive de uma maneira real o que está acontecendo dentro das telinhas. Voltando um pouco mais no tempo, há cerca de 60 anos, idade de nossos avós, pensar que existiria um ferro de passar roupas, elétrico ou que existiria uma televisão, espécie de radio em que as pessoas pudessem ver as cenas e que um dia essa mesma televisão transmitiria cenas coloridas, era algo que todos duvidariam de quem tivesse a coragem de supor de tais fatos.  

2. Aspectos Negativos do Avanço Tecnológico para o Desenvolvimento Biopsicossocial

Ao longo do avanço tecnológico, a sociedade foi se ajustando a esse novo parâmetro social, modificando seus atos, seus costumes, sua rotina e o mais importante, sua vida. Pois, através dos avanços, a urbanização tomou conta de todo território existente, diminuindo ainda mais os antigos pontos rurais que se anexavam dentro das novas áreas urbanas.
Na chamada sociedade moderna quem não se adapta ao sistema, consequentemente fica para trás das outras pessoas, pois quem não sabe usar um nootbook ou computador para o trabalho ou pra acelerar a vida no sentido de comunicação com o outro, perde seu lugar e vai sentar na ultima fileira de uma fila gigantesca de mesmos seres humanos lutando por uma vaga no mercado de trabalho.
Uma grande disputada de ideologias que podemos encontrar na dita sociedade moderna é entre os jovens de hoje e os jovens de ontem. Ou seja, os jovens e os adultos da última geração que debatem as diferenças das moralidades e da ética social.  

3. Brincadeiras Atuais x Brincadeiras Antigas

O ser humano, sempre irá defender a sua geração em que brincou, dançou, curtiu a vida e os momentos distintos. Para os jovens de hoje, brincar de esconde-esconde, cabra cega, amarelinha, jogar bola na rua, pião, pipa e entre outras brincadeiras, pode ser algo completamente ridículo e vergonhoso. Já para os adultos, a maneira de brincar dos jovens atuais, é completamente diferente e o termo “brincar” talvez, poderá se modificar dos mais famosos dicionários existentes.
Através do elevado aumento da tecnologia, a sociedade também se movimentou de uma maneira muito estrondosa, comparado com o século passado. Diversos transtornos são identificados e infelizmente de uma maneira enorme, acarretando e dificultando o bem estar da população mundial.
As brincadeiras das crianças do século passado são totalmente diferentes das desse século. O que difere essa afirmativa é que crianças do século passado possuíam uma atividade lúdica muito influente com as mais diversas brincadeiras que eram praticadas, fortalecendo a criatividade, o prazer, a interação entre outras pessoas, a cooperação, imaginação, o conhecimento do corpo humano e de maneira sadia, o melhor desenvolvimento da criança.
“Brincar é a fase mais importante da infância- do desenvolvimento humano neste período- por ser a auto-ativa representação do interno- a representação de necessidades e impulsos internos.” (FROEBEL, 1912, pp. 54-55).
As crianças do século XXI, pode se observar que, as brincadeiras estão voltadas aos jogos de computadores, vídeo games, celulares das mais últimas gerações. Crianças de 5 anos, em alguns casos, acabam ganhando como primeiro presente de aniversário um lindo Smartphone. Sendo assim, as antigas atividades lúdicas, vão se perdendo, a importância do desenvolvimento da psicomotricidade acaba não sendo reforçada e com certeza, modificações do desenvolvimento humano vá acontecer nas mais recentes gerações.  

4. A Perda do Contato Humano

Antigamente, para que um ser humano entre em contato com outro, era necessário sair de sua casa e ir ao encontro do outro. O toque, a visão do outro, o olho no olho, era algo estritamente normal e comum. Nos dias atuais, o toque e contato com nossos semelhantes estão muito distanciados. A internet tomou conta de toda globalização mundial e de fato facilita muito as pesquisas de quaisquer áreas a serem investigadas. Porém, dificulta o que poderia facilitar o desenvolvimento entre as pessoas. 
Parece ser de um grande tabu as pessoas saírem da cadeira, aonde se encontra um computador, por exemplo, e ir de encontro a algum lugar, pois o encontro é facilitado por um veículo á distância.
Na atualidade, as reuniões de grupo são feitas pela internet, com pessoas pertencentes a diferentes comunidades e que trocam informações e ideias, se mantendo no mesmo local sem se locomover.
“Até mesmo condomínios residenciais têm domínio na Internet para que os condôminos possam se comunicar” ( Angerami-Camon, 2006, p.64).
Na realidade contemporânea, é mais fácil as pessoas visitarem e criarem veículos afetivos, simplesmente, clicando em um botão de computador sem saírem de casa e estabelecerem um novo tipo de relacionamento, seguramente mais frio do que aquele vivido na relação interpessoal tradicional.
A verdadeira situação é que, as pessoas na sociedade atual por não terem o contato vivido e “tocado” de uma maneira mais influente do que antigamente, podem se tornar mais frias e nada impede dessa simples afirmativa ser um dos aspectos de diversas doenças psicossomáticas na população em geral.
Angerami-Camon(2006), ao se referir a realidade contemporânea:
“O distanciamento interpessoal vivido nas grandes metrópoles, além de dilacerar ainda mais o sentimento de solidão e vazio, provoca sentimentos de rejeição pelo próprio isolamento em que as pessoas se viam lançadas”. 
Ainda em outra questão citada por Angerami-Camon(2006) sobre a realidade contemporânea:
“Outro fator que pode estar agravando a falta de relacionamento interpessoais na atualidade é a expectativa forjada de que o outro precisa ser solitário a mim no momento em que eu me encontrar sucumbido diante do isolamento imposto pela aparato tecnológico”. 

5. Considerações Finais

O presente artigo teve como proposta refletir sobre os avanços tecnológicos em nossa sociedade e o quanto isso pode influenciar de maneira positiva e negativa as pessoas que estão em contato diretamente com esse fenômeno mundial.
Assim como foi exposto no artigo, diante do avanço tecnológico, as crianças de hoje que já nascem nesse sistema, perderam a essência do que era o brincar, perdendo a oportunidade de desenvolverem uma atividade lúdica, importantíssima na fator criatividade, imaginação e desenvolvimento psicossocial. A questão da psicomotricidade também é grandemente diminuída no sentido das crianças que em nosso modelo social, já ganham celulares de altíssima geração e não desenvolvem todo processo psicomotor que consequentemente ficam “brincando” em um único tipo de movimento que é a movimentação dos dedos nas pequenas teclas dos celulares.
A partir do artigo, quero demonstrar que, a tecnologia é importantíssima e grande facilitadora dos meios sociais e culturais, porém, a questão principal é: Será que tanto avanço tecnológico em nossos parâmetros sociais com toda sua grandeza e dimensão, podem deixar as pessoas mais frias e distantes capazes de consequentemente desenvolverem elevados níveis de transtornos lotando as clinicas e hospitais?
É sugerido um estudo muito mais detalhado dos aspectos negativos e suas consequências no desenvolvimento humano para que sejam abordados de uma maneira influente nos meios acadêmicos e sociais.

Fonte: https://psicologado.com/psicologia-geral/desenvolvimento-humano/a-era-tecnologica-uma-questao-de-avancos-ou-de-perdas-na-essencialidade-humana

Religião, Moral, Cultura, Política e Sexualidade

Autor: Fernanda Querino Pernica | Publicado na Edição de: Julho de 2014
Categoria: Psicologia Social

Resumo: Escolheu-se a igreja como instituição a ser pesquisada, assim como o seu significado na vida das pessoas que a frequentam; quais as relações entre a religião, a moral, a cultura, a política, a sexualidade das pessoas e suas escolhas ao longo da vida. A igreja, tanto a católica como as outras linhas religiosas, possuem muitas normas, ou melhor, dogmas: os dogmas religiosos, os quais seus fiéis devem seguir obedientemente. Haveria, portanto, uma ligação bastante estreita entre a pertença religiosa e os comportamentos tanto sexuais, morais e culturais que se teria no curso da vida. Nossa pesquisa, através de observações participativas com o grupo de jovens já citado e através de questionário, contendo 27 questões e sendo respondidas de forma dissertativa, pôde chegar a algumas conclusões.

1. A Igreja, suas Leis e seus Atravessamentos na Vida dos Indivíduos

A definição e compreensão da bíblia e dos ensinamentos que ela contém seriam progressivas, necessitando sempre da orientação do Magistério da Igreja Católic. Esta fé levaria à conversão das pessoas e à prática das boas obras (que nos afastariam do pecado e nos ajudariam a crescer na caridade), sendo que o ato de amar a Deus acima de todas as coisas e também o de amar ao próximo como a si mesmo seriam os mandamentos mais enfatizados. Segundo os fiéis, estes dois atos virtuosos são justamente os mandamentos de amor que Jesus deu aos seus discípulos e à humanidade. A igreja católica, assim como muitas outras, como por exemplo, as igrejas protestantes, pregam também que quem quiser fazer parte do “Reino de Deus” teria de nascer de novo, se arrepender dos seus pecados, se converter e se purificar e que Jesus teria ensinado que o poder, a graça e a misericórdia de Deus eram maiores que o pecado e todas as “forças do mal”, insistindo por isso que o arrependimento sincero dos pecados e a fé em Deus poderiam salvar os homens. Este misterioso “Reino de Deus”, segundo algumas religiões, como o catolicismo, só irá se concretizar na sua plenitude no fim do mundo, mas já está presente na Terra através da igreja.
A igreja, tanto a católica como outras linhas religiosas, possuem muitas normas, ou melhor, dogmas: os dogmas religiosos, os quais seus fiéis devem seguir obedientemente. Alguns mandamentos da igreja: participar da missa inteira aos domingos e festas de guarda; confessar-se ao menos uma vez por ano (ou no máximo até um ano após ter consciência de pecado mortal); comungar (nome dado ao ato pelo qual o fiel pode receber a sagrada hóstia sozinha, ou acompanhada do vinho consagrado, especialmente nas celebrações de Primeira Eucaristia e Crisma) ao menos pela Páscoa da Ressurreição; jejuar e abster-se de carne quando manda a igreja (estão obrigados à lei da abstinência de carne ou derivados de carne aqueles que tiverem completado quatorze anos de idade; estão obrigados à lei do jejum - uma só refeição normal ao dia, e apenas mais dois pequenos lanches - os maiores de idade, desde os dezoito anos completos até os sessenta anos começados); contribuir com o Dízimo segundo está escrito na Bíblia Sagrada.
A prática da Igreja Católica consiste em sete sacramentos:
  • Batismo;
  • Confissão;
  • Eucaristia;
  • Confirmação ou Crisma;
  • Sagrado Matrimônio;
  • Ordenação;
  • Unção dos Enfermos.
A Igreja tem uma estrutura hierárquica de títulos que são, segundo suas regras, em ordem descendente de Jesus Cristo:
  • Papa, o bispo de Roma. Os que o assistem e o aconselham na liderança da igreja são os Cardeais;
  • Bispo, Arcebispo e Bispo Sufragário, os sucessores diretos dos doze apóstolos. Receberam o todo das ordens sacramentais;
  • Padre (Monsenhor é um título honorário para um padre, que não dá quaisquer poderes sacramentais adicionais);
  • Diácono.
A Igreja Católica e a Ciência sempre discordaram e continuam a discordar em questões mais teológicas relacionadas com a infalibilidade e a autenticidade da Revelação divina contida nas Escrituras e na Tradição oral (pregações); com a negação da existência de Deus e da alma (e da sua imortalidade); com os momentos exatos do princípio e do fim da vida humana; e com as implicações éticas da clonagem, da contracepção e fertilização artificiais, da manipulação genética e do uso de células-tronco embrionárias na investigação científica.

Algumas considerações da Igreja Católica sobre temas específicos:

Sexo: considera o sexo uma dádiva divina e condena atos como masturbação e pornografia. A inseminação artificial é considerada imoral, tal como qualquer forma de planejamento familiar que não seja a continência periódica e o recurso aos períodos infecundos. A Igreja Católica condena o sexo antes do casamento. Segundo a igreja, o sexo é instrumento divino e abençoado por Deus que concede aos casais o poder da vida e por isso precisa da devida bênção divina, que é dada no ato do casamento. Ela é contra todos os métodos contraceptivos exceto a castidade. Por conseqüência, também se opõe ao uso do preservativo e à pílula. Essa posição é criticada mesmo por alguns membros da própria igreja que alegam que representa risco à saúde da sociedade perante as DST’s e um aumento das situações de gravidez indesejada. Porém, para a igreja, a fidelidade no casamento, a castidade e a abstinência são os melhores meios de impedir o avanço do HIV Aids. Ela considera que promover o uso de preservativos incentiva o que julga um estilo de vida imoral. Para os críticos dessa posição, esta representa um comportamento que contribui para o alastramento da doença;
Homossexualidade: considera atos homossexuais como moralmente errados. Entretanto, para ela, ter tendências homossexuais não é considerado algo pecaminoso. De acordo com a igreja, o pecado está em ceder a essas tendências e adotá-las na prática. Na mesma linha, a igreja repudia qualquer reconhecimento legal das uniões entre pessoas do mesmo sexo tendo-os identificado como (citações durante o ano de 2006): teoria obscura, loucura, ataque violento contra a família e o matrimônio tradicional, forma de ofuscar ou suplantar a família, ataque diabólico para eliminar as famílias, uma transgressão, uma falsa liberdade, entre outras. Em 2005 o acesso ao sacerdócio na igreja passou a ser explicitamente negado a quem tenha tendências homossexuais profundas ou apoie a cultura gay mesmo que não pratique a homossexualidade. No entanto, tal regra não se aplica aos padres já ordenados;
Aborto: o aborto é decididamente condenado pela Igreja Católica, que alega que o direito à vida, consagrado na Bíblia, é o mais importante e deve ser respeitado em qualquer circunstância;
Pesquisas com células-tronco > ela é contra as pesquisas usando células-tronco embrionárias. Nos métodos utilizados atualmente para a pesquisa necessita-se utilizar embriões recém-formados, o que para a igreja é pecaminoso, pois ela considera que o início da vida se dá no instante da fecundação, visto que, de acordo com seus preceitos, a vida não pode ser tirada de qualquer forma. A Igreja Católica não se opõe ao uso de células-tronco adultas pois, de acordo com ela, estas células podem ser obtidas sem a necessidade de se tirar a vida de um ser humano;
Ordenação de mulheres > a posição católica oficial e histórica é a de que as mulheres não podem ser padres ou bispos devido à doutrina de sucessão apostólica. Segundo a igreja, os padres e os bispos são sucessores dos apóstolos e, uma vez que Jesus Cristo escolheu apenas homens para o seu grupo de doze apóstolos, só homens podem se tornar padres ou bispos.
Alguns fenômenos sócio-comportamentais, como a queda na estimativa do número de fiéis católicos, são relevantes para nossa pesquisa. Tem-se observado, principalmente nas Américas e em parte da Europa, o desinteresse frequente da população com relação à Igreja Católica. Um reflexo disso é o aparecimento de grande número de pessoas que se intitulam católicos não-praticantes. Segundo o “G1” do site “globo.com”, um registro de 1872 revela que os católicos representavam 99,72% dos brasileiros. O percentual foi caindo com o tempo. A queda se acelerou na década passada: de 83% para 73%. No Censo 2000 feito pelo IBGE, 40% dos que responderam ser católicos no Brasil diziam ser "não-praticantes". Esses indivíduos geralmente discordam de políticas severas da igreja quanto ao uso do preservativo sexual, o divórcio,uniões estáveis entre heterossexuais, união entre homossexuais e o aborto. A prática de "ficar", comum entre os jovens brasileiros, por exemplo, foi declarada em 2007 como algo próprio de "garotas de programa" pelo secretário-geral e porta-voz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Dimas Lara Barbosa, segundo “O Globo”.
Segundo uma pesquisa realizada pela politóloga Janine Mossuz-Lavau com mulheres mulçumanas na França, estas são as que se casam em maior número, enquanto as sem religião encontram-se mais na situação de amigadas, como se o fato de não ter de se submeter a normas religiosas autorizasse escolhas mais diversificadas.
Em relação à idade da primeira relação, a religião desempenharia um papel importante na determinação do momento em que se inicia a vida sexual: as sem religião dão provas da maior precocidade sexual, pois 25,9% tiveram sua primeira relação sexual aos 15 anos ou menos, contra 6% das protestantes, 7,8% das muçulmanas e 19,5% das católicas. O fato de estar afastada da religião poderia levar a negligenciar os interditos que ainda podem pesar contra a sexualidade das mais jovens. Para aquelas que tiveram relações sexuais, ainda de acordo com o artigo, a idade média da primeira relação se eleva a 18 anos entre as católicas, 17,9 anos para as protestantes, 19,6 anos para as muçulmanas e 16,8 anos para as sem religião. Quanto a pouca idade das sem religião, isso remete à relação já citada que pode existir entre desafeição em relação à religião e liberalismo cultural. Uma jovem muçulmana que tem relações sexuais, na maior clandestinidade, com um jovem muçulmano diz que não só não tem prazer nenhum, como também sofre terrivelmente durante e depois das relações. Ela mesma relaciona seu sofrimento com a transgressão representada pelo seu comportamento. Tem-se a impressão, segundo Janine, de que ela se castiga de alguma forma por ter abandonado as regras em vigor na sua religião, não obtendo o que esperava e só experimentando, mesmo, o sofrimento.
Haveria, portanto, uma ligação bastante estreita entre a pertença religiosa e os comportamentos tanto sexuais, morais e culturais que se teria no curso da vida.
Nossa pesquisa, através de observações participativas com o grupo de jovens já citado e através de questionário, contendo 27 questões e sendo respondidas de forma dissertativa, pôde chegar a algumas conclusões.
Pudemos observar que a formação da personalidade de uma pessoa que possui uma religião está em total correspondência com seu substrato religioso vigente. As crenças religiosas influenciam sobremaneira no desenvolvimento psicológico e na formação da personalidade dos indivíduos.

2. Resultados e Discussão

Nosso estágio básico consistiu em pesquisar, com observação participativa, algumas práticas psi na comunidade local da cidade de Assis-SP.
Buscou-se, então, um grupo, cujas características marcantes, fossem interessantes para a nossa pesquisa. Após conhecermos algumas instituições, decidimos por uma: a igreja. Precisávamos selecionar um tema mais específico para que este fosse enfim pesquisado. O tema desse projeto foi escolhido por se tratar de uma instituição que, acreditamos, influencia muito na vida das pessoas que a seguem, principalmente no âmbito da moral, cultura, política e sexualidade. Visitamos a Comunidade Restauração e conhecemos um grupo de jovens, com idades entre 18 e 22 anos, que nos convidou a participar de reuniões quinzenais, realizadas na casa de um deles aleatoriamente e sempre no comando de seu líder, um homem adulto.
Essa Comunidade está ligada à Renovação Carismática Católica (RCC), que é um movimento católico surgido nos Estados Unidos em meados da década de 1960. Segundo seus seguidores, esse movimento é voltado para a experiência pessoal com Deus, particularmente através do Espírito Santo e dos seus dons, além de buscar dar uma nova abordagem às formas de evangelização e renovar práticas tradicionais dos ritos e da mística católicos. No Brasil, o movimento tomou força através da Canção Nova, Comunidade de Vida e Aliança criada pelo então Padre Jonas Abib (hoje Monsenhor) na cidade de Cachoeira Paulista para dar uma nova abordagem a temas polêmicos e morais e renovar conceitos já antigos da religião católica.
Dentre os colaboradores, 6 são mulheres, entre 17 e 27 anos e somente 1 é homem, de 27 anos; a maioria (71, 43% aproximadamente) freqüenta a igreja desde criança, levadas pelos pais e todos têm uma família religiosa, mas 42, 86% aproximadamente não admitem nenhum tipo de influência em sua decisão de seguir a religião. Todos, sem exceção, confessaram que, caso passassem a não freqüentar mais a igreja, suas famílias se sentiriam em choque, perplexas, decepcionadas, contrariadas, tristes, o que mostra a grande influência familiar, mesmo que não sentida nitidamente por esses jovens, em suas condutas e atitudes em relação a seguir a sua religião.
Em relação ao sexo antes do casamento, somente uma pessoa mostrou seu consentimento a esse ato, chamando-o de “normal” e que se deve se prevenir sexualmente. Todas as outras pessoas o julgaram como “errado” ou “contra a religião” e que as pessoas que o praticariam antes do casamento deveriam “parar”, “tentar mudar”, “se segurar”, “pedir perdão a Deus e se arrependerem”. E isso porque, para eles, o sexo tem que ser feito com amor e com fins reprodutivos, não tendo mais ligação entre sexo e prazer do que entre sexo e amor. O que fica claro na questão que pergunta se existe relação entre amor e sexo, onde a maioria (71, 43% aproximadamente) respondeu que sim, que o sexo só deve ser feito por amor. O uso dos métodos contraceptivos foi unanimemente apoiado, mas como forma de se prevenir doenças (pois, segundo eles, não se pode saber tudo o que o parceiro/a fez antes de se conhecerem) e para planejamento familiar, mas tudo dentro do casamento, pois, como já foi mostrado, a grande maioria não admite sexo fora do matrimônio. Para 28, 58% dessas pessoas, o indivíduo age bem em confiar em seu parceiro e não usar o preservativo, pois a promessa no altar deve falar mais alto, o que contraria a resposta de apoio unânime ao uso dos métodos contraceptivos. Todos, ao serem questionados sobre como se sentiriam, se considerássemos que fizeram sexo antes do casamento, responderam: “hipócrita”, “suja”, “com a consciência pesada”, “ninguém quereria se casar comigo”, “que fiz algo errado”, “pecando”, “arrependimento”, “mal”, com exceção de uma pessoa, a qual respondeu que não se sentiu mal, pois a pessoa com quem teve relações sexuais foi a mesma com quem se casou, ou seja, seu alívio por ter traído os princípios bíblicos seria o fato de ter se casado com o parceiro com quem fez sexo. Segundo NUNES, 2008, a igreja “propõe o controle da sexualidade e da reprodução como função básica da religião”.
O casamento seria, para eles, essencial, pois ao serem indagados sobre o significado dele ninguém respondeu que poderia ser uma escolha de cada um, um estilo de vida, uma opção, etc., mas sim uma “união”, “o sonho de construir uma família”, “se completar”, “amor”, “faz o homem e a mulher felizes” e “cumprir uma ordenança de Deus”. Acreditamos que exista uma construção social das religiões, atravessadas pelas relações de gênero, classe e raça. As religiões têm, explícita ou implicitamente, em sua prática institucional e histórica, uma visão que estabelece e delimita os papéis masculinos e femininos. O fundamento dessa visão encontra-se em uma ordem não humana, não histórica, e, portanto, imutável e indiscutível, por tomar a forma de dogmas. O que pode ser visto no objetivo de todos os colaboradores desse grupo de jovens católicos de se casarem e construírem uma família, pois na questão que abordou o tema da possibilidade de não encontrarem um parceiro/a com as características esperadas para a concretização de um casamento responderam que “esperaria em Deus”, “o casamento não é determinado pelas características dos parceiros e sim pelo amor”, “continuaria procurando”, “teria esperança”, “entregaria a causa a Deus”, “sentiria triste”, ou seja, nenhum deles se mostrou aberto à possibilidade de serem felizes fora de um casamento, pois esse seria uma das metas de vida de todo cristão. Em relação à submissão da mulher ao homem, como um dos princípios básicos do casamento, segundo a bíblia, todos, sem exceção responderam concordar com a necessidade de a mulher ser submissa ao homem, porém, de forma diferente do que acontecia em famílias de épocas passadas, ou seja, “submissão com moderação”. “A civilização do controle e do medo instaurada pelo cristianismo, associada à repressão do prazer e à suspeita sobre o sexo, é inseparável da desvalorização simbólica e social das mulheres. As diferenças biológicas, constantemente invocadas, validam a atribuição das mulheres à esfera doméstica, reafirmando a legitimidade de sua exclusão da esfera pública e reiterando sua inferioridade social e política. ‘Nos primeiros séculos da Igreja’, segundo Michelle Perrot, ‘[...] predomina a representação da mulher como fonte de pecado, da sexualidade como eterna tentação, assim como do casamento como um estado inferior. Em que medida estes dados fundamentais mudaram? É o que se pergunta muitas vezes, diante do rigor das posições atuais da Igreja. [...] Por que esta obsessão, e mesmo este ódio da carne, da sexualidade, e esta profunda desconfiança da mulher no cristianismo? Desconfiança que informou toda a cultura ocidental judaico-cristã. Por que a sexualidade é, hoje, uma linha de defesa e de afirmação da Igreja, notadamente por parte de João Paulo II? [...] Tudo se passa como se a Igreja tivesse investido o sagrado na moral sexual, colocado o sexo no coração do religioso, para responder a esta religião do sexo que invade a sociedade contemporânea’”; “quando essas mulheres reconhecem seu direito a uma realização pessoal que não passa pela ‘doação aos outros’, mas pela busca de uma felicidade referida a si mesmas, elas se contrapõem ao modelo cristão que define o bem e o mal. Recusam o gozo postergado, resultado do sacrifício assumido como passagem obrigatória” e “Danièle Hervieu-Léger (2003) chama a atenção para essas representações de si, para a afirmação da necessidade de realização pessoal, distantes da cultura católica e que se impõem sempre mais fortemente nas sociedades contemporâneas, como parte dos direitos de cada pessoa” (NUNES, 2008).
Todos, ao serem questionados sobre o preconceito, se mostraram contra ele e alguns afirmaram não possuírem nenhum tipo de preconceito. Uma pessoa chegou a dizer que o preconceito seria “falta de conhecimento no assunto” e outra “julgar as atitudes das pessoas mesmo sem tentar entender”. Porém, quando indagados sobre a homossexualidade, todos os jovens desse grupo responderam serem contra ele: “cada homem e cada mulher tem a sua função”, “uma pouca vergonha”, “não sou a favor”, “é um distúrbio de personalidade, desvio de caráter”, “errado”, com exceção da moça que está na igreja há 7 anos, que disse que acha “normal”, pois tem vários amigos, do que se pode inferir que tenha essa posição diante da homossexualidade por não ter sido educada desde criança dentro dos princípios religiosos e passando a seguir os preceitos bíblicos desde que tinha 12 anos, ou seja, até essa idade pode ter convivido com pessoas que não seguiam o cristianismo e pode ter passado por experiências de vida fora de uma igreja, sem precisar seguir os dogmas cristãos, podendo ter tido a possibilidade de fazer amizades com pessoas com qualquer orientação sexual, adquirindo a idéia de que qualquer orientação sexual é “normal”. O que também é mostrado pela crença de todos esses jovens na transformação do homossexual em heterossexual e no caráter assertivo em relação à igreja não aceitar que duas pessoas do mesmo sexo se amem e fiquem juntas, com exceção dessa moça, a qual não acredita nessa transformação de orientação sexual e nem concorda com essa postura da igreja, acreditando sim que os homossexuais possam se amar verdadeiramente. A sua amizade com pessoas homossexuais, seu carinho e afeto por eles, podem, sobremaneira, ter influenciado seu posicionamento não-preconceituoso em relação às pessoas que têm essa orientação sexual. Isso nos revela uma enorme e significativa contradição de idéias, que passa despercebida, ao se intitular uma pessoa não preconceituosa, ao afirmar que o preconceito é falta de entendimento, julgamento equivocado, etc., e em seguida ir contra a orientação sexual diferente da deles. A falta de conhecimento no assunto é realmente notável na questão sobre como seria determinado o sexo de uma pessoa, onde a grande maioria (85, 72%) respondeu “pelos órgãos genitais”, com exceção de uma jovem que afirmou ser pela criação da família e sociedade. Fica-nos bastante óbvio o cruzamento entre gênero e religião.
Em relação à postura desses jovens católicos diante do consumo de álcool, cigarro e drogas, todos são contra esse costume, com exceção de algumas poucas pessoas que não se importam em beber com moderação. Acreditam que “tudo o que prejudica o corpo é errado” e que seriam formas de “fuga dos problemas e da vida real”, afirmando participarem de festas, mas com algumas condições: “festas que não me impeçam de colocar meus princípios em prática” ou “não vejo problemas, mas o problema é o que você faz de errado em um lugar como esse” ou ainda “evito beber”. 28,58% admitiu não freqüentar baladas ou bares e nem agir de modo diferente do pregado pela igreja, em nenhuma circunstância. “As instituições religiosas continuam produzindo grupos e espaços para jovens onde são construídos lugares de agregação social, identidades e formam grupos que podem ser contabilizados na composição do cenário da sociedade civil. Fazendo parte destes grupos, motivados por valores e pertencimentos religiosos. (...) Neste contexto, a religião torna-se um fator de escolha em uma sociedade que enfatiza inúmeras possibilidades de escolhas, mas reduz acessos e oportunidades” (NOVAES, 2004).
“Vários mecanismos têm sido propostos e investigados em relação a como a religiosidade agiria positivamente sobre a saúde mental. É possível que um conjunto de fenômenos distintos aja em sinergismo(com cooperação, coletivamente, em esforço simultâneo): o apoio social dos grupos religiosos, a disponibilidade de um sistema de crenças que propicia sentido à vida e ao sofrimento, o incentivo a comportamentos saudáveis e regras referentes a estilos de vida propiciadores da saúde (relacionados à alimentação, ao uso de substâncias, ao comportamento sexual, à criação dos filhos, etc.)” (DALGALARRONDO, 2006). Esse pensamento é confirmado por esses jovens que acreditam que a religião possa ajudar na qualidade de vida de uma pessoa, como seu bem-estar físico e mental, pois segundo eles mesmos, “se nasce de novo”, “sem Deus não conseguimos nada”, “direciona atitudes, decisões e pensamentos”, “proporciona saber o certo e o errado e as conseqüências antes mesmo de agir” e “ela é formadora de opinião, caráter e conduta de vida”.
De acordo com Karl Marx, "a religião é o ópio do povo" e uma nova pesquisa com esse tema específico poderia nos mostrar que o afastamento da religião pode vir acompanhado de um processo de crescimento, pois, a religião, acreditamos, traz consigo restrições obsessivas. E isso pela sua natureza irracional dessas crenças. Porém, esta perspectiva negativa relativa à religião não se baseia em pesquisas sistemáticas, mas sim nas opiniões pessoais desses jovens católicos e em nosso pouco tempo de observação participativa, o que deixa-nos claro a necessidade de aprimorar essa pesquisa futuramente.
Por agora, podemos concluir que a igreja considera que as pessoas não são autônomas, exatamente porque os direitos humanos são relacionados com Deus. A teologia moral católica parece insistir nos deveres e não nos direitos do ser humano (NUNES, 2008). E isso fica muito bem claro na falta de argumentação desses jovens que baseiam todas as suas atitudes, pensamentos, condutas, comportamentos, decisões, desejos, objetivos e até mesmo seus sentimentos mais íntimos em uma única fonte: a bíblia. Podemos observar a grande falta de conhecimentos mais ampliados para outras fontes de argumentação que não seja a bíblia, ficando totalmente restritos a ela e com uma enorme lacuna de seus pensamentos e idéias em relação ao conhecimento do ser humano e do mundo atual, em nosso contexto histórico, político e social em que vivemos. “Se a base das idéias cristãs se encontra na afirmação de Deus como causa primeira e fundamento último, o pensamento científico e a lei moderna apóiam-se no contrato social e num certo conceito de razão - o que descarta apelos à divindade. ‘Neste esforço de construção científica e legal emerge um novo ser humano: o indivíduo e sua consciência, senhor de si, de seus juízos e de suas decisões’ (Idem, p. 29). O ‘ser humano’ nascido da Reforma protestante deve obedecer unicamente à sua consciência.
Para o cristianismo, toda liberdade é um dom de Deus, não é inerente ao indivíduo e não é fonte de direitos. ‘Ao contrário, todos os esforços do espírito moderno tenderão a abolir esta arbitrariedade e libertá-la, oferecendo à natureza humana algo que até então dependia de uma ordem superior’ (Idem, p. 32)” (NUNES, 2008).
Enfim, acreditamos que toda e qualquer religiosidade surge em contextos históricos, socioeconômicos, políticos e culturais específicos e tem, portanto, sentidos específicos para cada um desses contextos. Ela é, desta forma, intrinsecamente uma dimensão social e cultural da experiência humana. Assim, é de se esperar que diferentes formas de religiosidade, em distintos contextos sociais e culturais, tenham significações e implicações diferenciadas para a vida das pessoas e sua subjetividade. O que lamentamos é a precariedade das ideias sobre as formas de se viver que a maioria das pessoas religiosas apresentam, pois parece que tudo se passa como se essa religião em que crêem e que praticam fosse o seu único quadro de referência, não estivesse em concorrência com outros sistemas de valores e determinasse, portanto, seus comportamentos, pensamentos e desejos.
Fonte: https://psicologado.com/atuacao/psicologia-social/religiao-moral-cultura-politica-e-sexualidade

Aborto


O aborto é a interrupção da gravidez de um embrião ou feto provocando sua morte. Tal interrupção é feita a qualquer momento antes do nascimento. Pode ser espontâneo ou induzido.
O aborto espontâneo ocorre de forma natural ou acidental. Não se sabe ao certo, mas acredita-se que acontece quando os cromossomos do espermatozoide encontram com os cromossomos do óvulo, quando há infecção do útero, diabetes, alterações hormonais, excesso de produtos químicos e outros. Pode-se detectar o início de um aborto quando há sangramento pela vagina independente de ser em pequena ou grande quantidade, cólicas no abdômen, febre, secreção vaginal, calafrios e outros.
Se houver o aborto, a gestante se restabelece em até seis semanas com algumas sensações desconfortáveis no organismo além da sensação de culpa por não conseguir segurar o bebê. Após quatro semanas, a gestante pode voltar a ter relações sexuais e é recomendável esperar que haja um novo ciclo menstrual para tentar engravidar novamente.
O aborto induzido ocorre quando a interrupção é feita propositalmente utilizando formas domésticas, químicas ou cirúrgicas. Este pode causar riscos de vida para a pessoa, pois tais procedimentos são realizados de forma clandestina não apresentando segurança para a pessoa. Vale lembrar que o aborto que não tenha causa espontânea é crime contra a vida humana denominado Infanticídio, com pena de detenção variável de dois até seis anos.
Publicado por: Gabriela Cabral em Sexualidade
Fonte: http://www.mundoeducacao.com/sexualidade/aborto.htm

Cristianismo Primitivo

Cristãos perseguidos pelas autoridades romanas.

Durante a dominação dos romanos sobre o povo judeu, o aparecimento de um novo profeta proporcionou uma grande transformação no pensamento religioso da época. Nascido em Nazaré, região da Galiléia, Jesus profetizou uma ampla reforma religiosa que entrou em confronto com valores fundamentais do judaísmo. Ao criticar diversos pontos da antiga Lei Mosaica e as tradições instituídas pelos sacerdotes judeus, Jesus foi motivo de grande controvérsia. 

Pregando um ideal religioso universalista, Jesus ainda criticava a adoração aos imperadores romanos. Mantendo o traço monoteísta da religião judaica ele passou uma mensagem de salvação oferecida a todo o mundo. Além de reformular conceitos, ele apoiou o amor ao próximo, a igualdade entre os homens e o desapego material. Muitos desses princípios eram divergentes da vida cotidiana da enriquecida elite romana daquele período. 

No entanto, sua promessa de salvação ganhou grande simpatia das classes marginalizadas do Império Romano. Plebeus, escravos e colonos viam na mensagem de Jesus um instrumento de redenção contra a opulência e a exploração do mundo romano. Seguindo seus ensinamentos, vários homens daquela época tornaram-se discípulos incumbidos de pregar a mensagem do messiânico profeta judeu. Sua mensagem e seu martírio, ao longo do século I, arrebanhavam vários fiéis que agora se reuniam nas primeiras comunidades cristãs. 

Opondo-se ao escravismo e insubordinando-se aos costumes e tradições romanas, os cristãos começaram ser oficialmente perseguidos pelo Império Romano. Presos, torturados e mortos, os cristãos significavam uma ameaça no momento em que cresciam à custa das classes subalternas da sociedade romana. Mesmo sofrendo intensa perseguição, via na mesma uma prova do favor de Deus à sua prática religiosa. Em outros termos, o cristão que morresse pela sua fé obtinha a garantia de uma existência futura abençoada. 

Na medida em que as perseguições se intensificavam, o número de convertidos crescia vertiginosamente. A determinação dos pregadores cristãos era vista como prova máxima das verdades cristãs. Com isso, a população romana, que começava sentir os efeitos da crise do Império, buscava consolo nas doutrinas cristãs. Com o passar do tempo, as próprias autoridades perceberam que não poderiam mais ignorar a expansão do cristianismo ao longo do Império. Em 313, o imperador Constantino liberou o culto cristão. 

A partir daí, o cristianismo tornou-se a principal religião romana. Com o aumento do número de fiéis, formou-se uma extensa hierarquia responsável pelo cuidado dos cristãos. Os primeiros diáconos e padres surgiram no seio da Igreja. Já no século II, formaram-se escolas responsáveis pela formação dos clérigos. Iniciava-se então um processo de hierarquização que transformou a forma difusa do cristianismo primitivo em uma instituição regida por claras normas. 

Os concílios começaram a reunir as autoridades da Igreja para a discussão da doutrina cristã. A partir de então, formava-se duas grandes alas da Igreja Cristã. O clero secular, incumbido das questões doutrinárias e administrativas da Igreja; e o clero regular, responsável pela evangelização e pelos cultos dirigidos à população. Com a disseminação do cristianismo pela Europa, a Igreja tornou-se, a partir de então, uma das principais instituições do mundo Ocidental.

Por Rainer Sousa
Mestre em História
Fonte: http://www.mundoeducacao.com/historiageral/cristianismo-primitivo.htm

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Reativando

Reativando o blog para a comunicação de interesses religiosos, filosóficos, sociológicos e científicos.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Internação à força de viciados divide especialistas


Quarta-feira, 23 de janeiro de 2013 - 15h57min
por A reportagem é publicada pela BBC Brasil.
Sob uma forte polêmica, começa a funcionar nesta segunda-feira um acordo entre autoridades de São Paulo que tornará mais ágil a internação forçada de usuários de crack em clínicas de desintoxicação.
Especialistas ouvidos pela BBC Brasil disseram esperar que a ação não se revele mais uma operação repressiva como já ocorreu no passado na Cracolândia - com o intuito aparente de apenas tirar os dependentes de drogas do centro da cidade, sem uma forma efetiva de tratamento.

A ação é baseada em um termo de cooperação técnica assinado pelo governo do Estado, Tribunal de Justiça,Ministério Público e OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).
Ela cria uma equipe integrada por médicos, assistentes sociais e juízes sediados no Cratod (Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas), no Parque da Luz, próximo a região da Cracolândia.
Segundo o desembargador Antônio Carlos Malheiros - responsável pela parte do TJ na parceria - os dependentes químicos serão levados ao local a fim de passarem por avaliação médica. Caso o usuário necessite de uma internação e se recuse a submeter-se a ela, promotores pedirão a um juiz de plantão que decida sobre uma internação compulsória.
Hoje a lei brasileira prevê três tipos de internação: voluntária, involuntária (por determinação do médico e familiares, se o paciente não tiver condições de decidir) e compulsória (por decisão judicial).
Por ordem do juiz, os dependentes de crack que necessitarem serão imediatamente levados contra sua vontade para uma clínica especializada conveniada com o o governo. Todo o processo deve acontecer em poucas horas.
Ao anunciar a parceria na semana retrasada, o governador Geraldo Alckmin afirmou que o Estado dispõe de aproximadamente 700 leitos especializados para atender os dependentes químicos, a maioria em clínicas conveniadas.
Convencimento
Malheiros disse que passou mais de seis meses visitando diariamente a Cracolândia para estudar o assunto. Ele diz acreditar que a solução para o problema do crack em São Paulo não é uma política higienista, de recolhimento em massa.
Para ele, a internação compulsória dos dependentes é necessária, mas deve ser usada apenas como "um exceção a regra".
O magistrado afirmou à BBC Brasil que estratégias do governo usadas no ano anterior - nas quais a Polícia Militar dispersou usuários de drogas do centro - não são as mais adequadas.
O ponto que mais preocupa especialistas é como serão feitas as abordagens aos dependentes químicos naCracolândia a partir desta segunda-feira: por convencimento ou coerção.
Segundo Malheiros, a ideia da parceria é que a PM esteja presente, mas não participe das abordagens - que devem ser feitas apenas por assistentes sociais e agentes de saúde.
Porém não está claro como usuários contrários à própria internação serão levados espontaneamente para a avaliação médica.
Malheiros afirmou que alguns familiares estão se organizando para convencer e levar seus parentes usuários de crack ao Cratod.
Segundo o magistrado, o tempo de internação forçada determinado pelo juiz será de acordo com a orientação dos médicos.
Leia abaixo as opiniões dos médicos psiquiatras Ronaldo Laranjeira Dartiu Xavier da Silveira, ambos da Unifesp(Universidade Federal de São Paulo) sobre o tema da internação forçada:
Contra
Para o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, a internação forçada é negativa, de maneira geral. Ela se justifica apenas em aproximadamente 5% dos casos, quando o dependente de crack também apresenta um problema mental grave. Segundo ele, o tratamento de usuários de drogas mais efetivo é voluntário e envolve visitas regulares a clínicas e centros especializados.
Silveira é um renomado professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), onde coordena o Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes.
Segundo ele, há situações específicas, do ponto de vista médico, nas quais se justifica a internação involuntária. Isso acontece quando o paciente apresenta psicose (delírios de perseguição e alucinações) ou risco iminente de suicídio.
"Essa pessoa pode não ter um juízo crítico da realidade e então cometer um absurdo, mas não é o crack que faz isso com ele, é o problema mental", disse.
Ele afirmou ainda que, embora os estudos sobre o tema sejam controversos, a taxa de recuperação dos dependentes é maior em um contexto ambulatorial do que no de uma internação.
"É relativamente fácil alguém ficar longe da droga quando está internado, isolado, em condições ideais. O difícil é se manter longe da droga quando você volta para o convívio com a família, com o emprego, com os problemas", disse.
"A consequência é que a grande maioria recai no primeiro mês depois da internação. Além do custo ser muito maior que um tratamento ambulatorial, a eficácia é menor".
Ele afirmou que a população de rua pode ser tratada de forma ambulatorial. Essa abordagem já é usada com frequentadores da Cracolândia. "Isso já é empregado de uma forma muito bem feita", disse.
O psiquiatra defende ainda que sejam oferecidos aos usuários o benefício das moradias assistidas - chamadas no exterior de "halfway houses", hoje ainda insuficientes no Estado -, onde eles receberiam além do teto, acompanhamento médico e ajuda para conseguir emprego e se restabelecer socialmente.
Sobre as críticas de que o número de dependentes na região não diminui ao longo dos anos, Silveira explica que o problema da Cracolândia é majoritariamente social e não médico.
"A condição de miséria da população de rua é decorrência de uma omissão do Estado, da falta de acesso a moradia, à saúde, à educação. O estado de vulnerabilidade em que eles se encontram os torna suscetíveis a se tornar dependentes químicos, mas a droga é consequência e não causa".
Segundo ele, frequentemente as autoridades fazem operações massivas na Cracolândia nas quais prevalece o caráter agressivo e repressivo em detrimento do tratamento por meio do convencimento. Ele citou como exemplo ações ocorridas no início do ano passado - onde policiais militares apenas espalharam os frequentadores da Cracolândiapelo centro da cidade.
"(Essas medidas) destroem anos de trabalho de confiança estabelecida entre o agente de saúde e o morador de rua".
"A gente precisa começar a dar a essa população condições mínimas de cidadania, de qualidade de vida. Isso é uma coisa que o Estado não quer encarar. (A atual ação) me parece mais uma tentativa de tomar uma medida com um impacto midiático, político".
"Mas a gente sabe que isso não vai resolver o problema. Um tipo de proposição dessa ordem é algo que não seria aceito em um país de primeiro mundo".
A favor
Para o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, internar de forma compulsória moradores de rua extremamente dependentes de crack é um "ato de solidariedade". Segundo ele, a maioria das pessoas que chegam contra sua vontade em clínicas de tratamento acabam aderindo voluntariamente ao tratamento após os primeiros dias de internação.
Laranjeira é professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e uma das maiores autoridades no assunto no país. Ele se diz favorável à facilitação das internações compulsórias em casos extremos, desde que acompanhada de uma linha especial de cuidados ao paciente após sua desintoxicação inicial.
Ou seja, apenas em casos realmente necessários, sem a adoção de uma abordagem simplista ou higienista, para ocultar um "problema" urbano.
"Você tem que cuidar daquelas pessoas que estão desmaiadas na rua (devido ao uso abusivo do crack). Isso é um ato de solidariedade e não cárcere privado", disse.
Segundo Laranjeira, a maioria dos países democráticos já tem mecanismos para viabilizar a internação compulsória. "Na Suécia, 30% do tratamento psiquiátrico é coercitivo. Os Estados Unidos têm pesquisas que mostram a eficiência desse tratamento e a classe média no Brasil já vem fazendo isso há muito tempo também".
Segundo ele, a internação por ordem judicial está prevista na lei brasileira e já é bastante comum em São Paulo, mesmo antes do início da atual parceria anunciada pelo governo.
Dos cerca de 100 leitos de uma clínica chefiada por Laranjeira no interior do Estado, 50% são ocupados por pessoas internadas por ordem judicial. Ele diz acreditar que a tendência se repete em toda a rede especializada no tratamento de dependentes químicos.
"Toda semana eu faço uma ou duas internações (forçadas) na minha clínica. Mais de 90% delas em uma semana se tornam voluntárias", disse.
Segundo Laranjeira, a pessoa que necessita de uma internação à força chega à clínica em uma situação grave, na qual é praticamente incapaz de discernir o que é melhor para ela. Quando a crise inicial passa, ela começa a ter condições de analisar a situação e acaba concordando com o tratamento.
De acordo com o psiquiatra, o governo de São Paulo já deu um passo significativo quando começou a abrir leitos (30 atualmente) para internação de mulheres grávidas usuárias de crack. Em sua opinião, nesses casos a internação involuntária é muito necessária, pois não envolve apenas a saúde da mãe, mas também a do bebê.
De acordo com Laranjeira, quando uma pessoa é internada compulsoriamente por estar em um estado emergencial de dependência, seu período médio de permanência na clínica não deve ultrapassar dois meses.
Uma vez estabilizado, o paciente deve ser submetido a uma fase de tratamento ambulatorial - frequentando uma clínica especializada uma ou duas vezes por semana, para receber acompanhamento médico, psicológico e de assistentes sociais.
No caso dos moradores de rua - que não podem passar por esse tratamento enquanto hospedados na casa de familiares - ele defende o uso de moradias assistidas.
Elas são necessárias, pois é comum que o usuário de crack que acaba numa cracolândia não possua mais emprego, bens e esteja afastado da família.
Nessas moradias, o usuário pode entrar ou sair livremente e recebe apoio do Estado para reconstruir sua vida - ao mesmo tempo em que tem a dependência química monitorada.


Morre João Zinclar, fotógrafo dos movimentos sociais



Terça-feira, 22 de janeiro de 2013 - 17h53min
por A reportagem e foto é do jornal Brasil de Fato.
O fotógrafo dos movimentos sociais e do Brasil de FatoJoão Zinclar, faleceu na madrugada deste sábado (19). Ele retornava de um trabalho em Ipatinga (MG) quando o ônibus no qual viajava, da viação Itapemirim, foi atingido por um caminhão que vinha no sentido contrário e atravessou a pista.

O acidente ocorreu por volta das 3h30 na altura do município Campos de Goytacazes, no norte do Rio de Janeiro. O ônibus transportava 20 pessoas. Um outro passageiro e o motorista do caminhão tiveram ferimentos leves. O velório será realizado neste domingo (20) em Campinas (SP), cidade onde o fotógrafo morava. O enterro será na segunda-feira (21), às 9h. 
Zinclar é natural de Rio Grande (RS).
João Zinclar tinha 56 anos e deixou uma filha. Ele fotografava para vários movimentos sociais, entre eles o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), sindicatos e meios populares de comunicação, como o Brasil de Fato.

Zinclar foi metalúrgico e integrou a direção do sindicato da categoria em Campinas, de 1990 a 1996. Também foi militante filiado do PCdoB até 1996.

Em 2009, ele lançou o livro fotográfico "
O Rio São Francisco e as Águas no Sertão", um registro da cultura do povo ribeirinho e sua luta em defesa do rio. O livro é resultado dos cinco anos em que Zinclar percorreu as margens do Rio São Francisco em oito estados.